Referências visuais

Thomaz Jorge Farkas (Budapeste, Hungria 1924 - São Paulo, Brasil 2011)

Thomaz Farkas é considerado um pioneiro da fotografia moderna no Brasil. Suas imagens feitas nos anos 1940 e 1950 são identificadas com a visualidade desenvolvida pelas vanguardas europeias e norte-americanas nas primeiras décadas do século XX: ângulos inusitados, closes, elementos seriados e composições geométricas. 


Quase sempre em preto-e-branco, suas imagens aliam pesquisa formal e testemunho histórico. Na variedade dos temas, revela-se o interesse por aspectos visuais de seu cotidiano e, conseqüentemente, pelo dia-a-dia em centros urbanos como São Paulo, onde o artista morou, e Rio de Janeiro, que visitava com freqüência.

As fotos de rua mostram como as pessoas se vestem e se comportam em ambientes públicos, sem descuidar do enquadramento e do arranjo ritmado das formas. Registra a população em seus afazeres cotidianos e em momentos de lazer. Na mesma época, fotografa cenas de esporte e companhias de dança nacionais e internacionais, nos quais nota-se o interesse pelo desenho dos corpos em contra-luz e pelo movimento que ora é congelado, ora borrado.

Nos anos 1940, Farkas está atento à transformação da paisagem urbana. No conjunto de sua obra, os detalhes de edificações são as imagens que mais se aproximam da arte construtiva em voga no Brasil nos anos 1950. Os resultados parecem abstrações geométricas, mas neles quase sempre é possível reconhecer o referente. Nas fotografias da construção da capital do Brasil, o artista conjuga a documentação social com o formalismo. Voltado para o cotidiano, além das construções em obra, registra as condições de vida dos trabalhadores e suas famílias, suas moradias precárias e o comércio que se forma em torno da cidade, que é o ícone da modernização do país.

Em 2005, Farkas mostra pela primeira vez uma série de fotos coloridas realizadas em 1975, durante uma expedição científica ao rio Negro, Amazonas, e em Salvador. Esses registros de viagem se destacam principalmente pelo caráter descritivo e etnográfico e denotam, mais uma vez, o olhar atento nas peculiaridades culturais, o modo de vida e o trabalho. Ele não busca situações espetaculares, procura captar a atmosfera dos locais visitados e prioriza as tonalidades naturais e próprias das cenas.









Gaspar Gasparian (São Paulo, Brasil 1899 - 1966)

Gaspar Gasparian começou a fotografar em 1940 Influenciado pela estética pictorialista, movimento nascido na Europa no final do século XIX cujo objetivo era aproximar a fotografia das artes. Desse período poderão ser vistas obras de naturezas-mortas. Além desse gênero, Gasparian realizou inúmeras paisagens dentro de um espírito acadêmico. São fotos de alto contraste, que realçam a beleza dos lugares fotografados, como é o caso da série sobre São Paulo.

Gasparian fez também experimentos fotográficos com reflexos e vidros, todos realizados na década de 40, período em que frequentou o Foto Cine Clube Bandeirante, local que reunia aficionados por fotografia e que a viam como uma forma de arte e não de um simples registro documental. 


O foto-clubismo nasceu no final do século XIX na Europa, mais precisamente em Viena, na Áustria. Fotógrafos, cansados de não serem considerados artistas, resolveram criar um movimento que os aproximasse das artes plásticas, procurando de alguma forma, demonstrar que a fotografia não era simplesmente o resultado de um processo físico e químico, mas acima de tudo, resultado de um processo criativo. 


Na virada do século XIX para o século XX, mais precisamente em 1902, surge um outro movimento importante para discutir o estatuto de arte da fotografia: o Photosecession. Criado pelo fotógrafo Alfred Stieglitz, cujas raízes são foto-clubistas, o movimento tenta reivindicar um estatuto de linguagem autônoma para a fotografia. Para Stieglitz “a fotografia não era serva das artes, mas uma linguagem própria”. Era possível obter imagens artísticas usando o que era próprio da fotografia: luz e laboratório, sem por isso recorrer às técnicas próprias da pintura.