terça-feira, 22 de novembro de 2016

Epámeroi. Tí dé tis; ti d'où tis.
Skias de ántrhropos

(Efêmeros. Ser alguém; ser ninguém.
Sonho de uma sombra é o homem)

Píndaro: Píticas, VIII, 95-97 (excerto)



Nesse poema de Píndaro, poeta grego, o ser humano é uma sombra que sonha. Expõe nessa definição sucinta a vida humana na sua fragilidade e brevidade. 

Mas com que sonha a sombra? Talvez com quem a projeta; talvez com levantar-se e andar por conta própria. Talvez sonhe, um dia, ter sua própria sombra, ser alguém.

Na teoria de Carl Jung, a sombra é o centro do inconsciente pessoal, núcleo do material reprimido da consciência. Simplificando, seria a nossa parte “negativa”, aquilo que repudiamos em nós mesmos. Talvez seja apenas o nosso lado mais irreverente, mais livre, que queremos controlar e não conseguimos, como no filme infantil Peter Pan.